Monday, December 12, 2005

20/07/2005 O CAMINHO






Faz alguns dias que não escrevo. Meu mau humor não me permitia dizer nada de positivo, então me calei. Eu até que tentei, mas fui apagar uma frase que estava horrível e de repente o texto desapareceu da tela. Como eu sou uma pessoa que acredita em sinais, achei melhor dar um tempo. O porquê do mau humor, da crise de pessimismo, não sei ao certo. Os místicos talvez explicassem a tal crise, por eu estar no meu inferno astral, que se caracteriza como sendo o mês que antecede o nosso aniversário. Pois é, dia 19 de julho foi meu aniversário e o mês anterior não foi dos mais fáceis. Logo eu, que iniciei esse blog falando do meu otimismo, que é uma característica inerente a minha personalidade, me tornei ranzinza e chata, pensando coisas do tipo “esse país, não tem jeito”, “esse terrorismo no mundo, não tem jeito”, “minha vida, não tem jeito”, etc... Também dizem que fazer 33 anos não é fácil. E eu fiz 33 anos!!! Refletir na vida, pensar nas perdas que sofremos, nas coisas que não deram certo, nos nossos erros, estando de mau humor, não é boa idéia e fiz isso.
Passei a véspera do meu aniversário fazendo bico o dia todo e bufando pelos cantos. À noite tentei melhorar a cara para ir à casa do meu pai dar-lhe um abraço forte pelo seu aniversário. E foi lá que o mau humor começou a ceder. De repente, sentada à mesa olhei aquele homem (que é meu pai e meu amigo) e pensei que talvez ele também tenha tido um mês de inferno astral, que ele estava fazendo mais que 33 anos e que talvez tenha tido momentos de mau humor ao refletir sobre sua vida. Não parecia, pois ele sorria. Olhei à minha volta e ainda senti que faltavam minha mãe e meu irmão, já falecidos. E meu pai ainda sorria, mesmo depois de todas as perdas, batalhas, decepções e frustrações que deve ter tido durante seus 63 anos. Olhei novamente à minha volta e vi meu amor ao meu lado, meu pai, meu outro irmão, minha cunhada e um serzinho de um ano e quatro meses correndo de um lado pro outro falando e rindo muito... minha sobrinha. Ali estava toda minha família e todos sorriam. Eu também sorri e o mau humor foi embora. Olhando minha sobrinha, com aquele cabelo loiro lindo e sorriso de cinco dentes, pensei que o tempo não para mesmo, que alguns vão embora, mas que outros chegam e a vida continua, cheia de possibilidades.
O dia do meu aniversário chegou, com flores amarelas (que eu adoro) logo cedo, amigos que telefonaram, mandaram emails, scraps (muitos!!!), que vieram me abraçar, novamente e sempre o carinho do meu AMOR (com letras maiúsculas como li no blog da minha amiga Cíntia) e da minha FAMÍLIA, que pode não ser grande, mas é minha. Eu festejei meu aniversário, recuperei meu otimismo, minha esperança e fé em dias muito melhores para mim, para os meus, para a humanidade. Eu estou bem novamente.
Durante o dia todo lembrei de algo que minha mãe me escreveu, numa de suas últimas cartas. Ela dizia que a vida era um caminho lindo cheio de árvores, que as cores das folhas representavam as fases de nossa vida, que nesse caminho eu só levasse comigo sentimentos bons, pois esses são leves e fáceis de carregar e que eu aproveitasse a bela vista enquanto caminhava. Acho que finalmente entendi, depois de 10 anos, que a vida é mesmo um caminho por onde passamos e que é nossa escolha se ficamos preocupados com as pedras, buracos e onde iremos chegar, ou se aproveitamos a vista, a paisagem, as pessoas que encontramos, que amamos. E é pensando nisso que vou continuar escolhendo apreciar e aprender com a beleza de cada época, ansiando que seja bom o que vier depois da curva no caminho e desejando que sempre brotem folhas verdes depois das amarelas que caem e são levadas pelo vento... Essa foi minha criação, foi assim que me ensinaram, é assim que quero continuar a ser, vida à fora, pelo meu caminho.

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